sexta-feira, 24 de julho de 2015

Futilidade

Como poderei sentar e escrever sobre algo importante se minha mente se concentra somente em peças fúteis?
Mas afinal o que é fútil?
Para você isso tudo possa ser uma futilidade mas para mim é de extrema importância.
Para um estudante de cinema ver filmes é um trabalho, para um estudante de direito é fuga.
Para um estudante de direito ler o código penal é trabalho para um artista é uma tortura.

Afinal o que é realmente importante?

As pessoas pré julgam tudo antes mesmo de saber o que estamos fazendo.
Se esta mexendo no celular ou no computador, com certeza é bobagem.
Mas seria bobagem mesmo?

É incrível como nos achamos cultos e julgamos a todos como se não possuíssem ou não fossem merecedores de tanta cultura como nós.

E agora te pergunto, o que é cultura afinal?
O que se diz por culto é somente a música clássica? A MPB ou os pintores renascentistas e barrocos? Pois eles sim sabiam pintar, os pintores modernistas e contemporâneos não sabem o que fazem. E a música do morro? O funk não é cultura para muitos.

S devo então falar de fugacidades?
Devo sim, pois para mim elas não são fúteis são bem uteis sim.


Vida

A luminosidade me guia me meio as trevas deste túnel sem fim chamado vida.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Culpa do táxi.

O evento havia sido excelente, para finalizar resolveram ir para um bar.
Era um dia frio de inverno em Curitiba, mais cedo havia chovido um pouco e as calçadas estavam ainda molhadas. Nesse momento batia um leve vento e uma garoa fina caia.
Quando todos chegaram ao bar deram risada e se sentiram aquecidos.
Os assuntos começaram em torno da discussão da última palestra, que falava de inclusão. A bebida começou a entrar e as verdades e besteiras a sair.
O assunto focou em sexualidade, gênero e desejos. Ela então assumiu ser bissexual e muitos ali disseram já desconfiar, outros ficaram até assustados com a informação. Todos ali eram heterossexuais e queriam saber como era ser bi.
Derrepente a convidada virou centro da roda e todos queriam que ela contasse mais de suas experiências.
O Vinicius estava ali, atento a tudo, olhando e pensando em como é que seria passar algum tempo a sós com uma mulher tão aberta, tão inteligente e quiçá mais sagaz que ele mesmo. Surgiu uma dúvida e até um desejo.
Ela mal imaginava que ele já a desejava, em pensar que ela só havia ido ao bar para poder ficar mais próxima dele.
As horas foram passando e um a um foram indo embora. Então sobraram quatro pessoas, um casal, Vinicius e ela. O casal disse que já ia embora, Vinicius meio constrangido em ficar a sós com ela se levantou meio sem jeito e disse que iria também, ela então sem opção lhe disse: já que vai, me vou também, está bem tarde mesmo.
Saíram juntos do bar e para surpresa de ambos começou a chover. Ela tinha uma sombrinha minúscula na bolsa e ofereceu que ambos tentassem se proteger ali, foi o primeiro abraço.
Ela perguntou para onde ele ia e ele também a perguntou o mesmo, ambos deram risada e responderam juntos: -Rui Barbosa . - Reitoria.
Ela iria pegar um madrugueiro para seu bairro no leste de Curitiba, enquanto ele morava em um apartamento no centro. Ela sugeriu levá-lo até em casa e de lá então pedir um táxi, pois seria mais seguro, afinal andar  sozinha no centro seria perigoso.
Ele questionou por que ela não ia de táxi para casa então e ela alegou não ter dinheiro, só para ir até a Rui Barbosa e pegar um ônibus. Ele acenou com a cabeça e disse saber como era isso.
A chuva havia deixado a sensação térmica ainda mais baixa e ambos estavam gelados o que fez que se abraçam mais forte.
Vários pensamentos passeavam pela cabeça de cada um deles.
Ela: Que cinturinha, que perfume, que braço, que homem!
Ele: Caramba que quadril, e esses peitos, uau que cabelo, e o sorriso?  Que mulher!
O desejo já tomava conta do corpo dos dois, só faltava um deles tomar a iniciativa. E ambos pensavam: Ah se me desse um beijo, Aaah!
Finalmente após longos dez minutos de caminhada em meio a chuva eis que chegam ao prédio de Vinicius. Agora protegidos pela marquise eles se afastam e ela diz:
- Entregue! Agora vou ligar pro táxi. Você pode esperar aqui comigo?
- Claro, poxa é o mínimo. Mas vamos entrar e esperar na recepção, será mais seguro.
- Sim, claro, que ideia genial.
Ela pegou seu celular da bolsa e disse:
- Minha bateria está baixa, espero conseguir ligar... Droga... Mas que azar, não acredito nisso.
Seu celular havia ficado sem bateria.
- Calma! Vamos subir e você liga do meu telefone ue.
- Você não se importa?
- Não, capaz né?! Venha, vamos pegar o elevador.
Na verdade, ele se importava sim, odiava levar pessoas a seu apartamento, ainda mais mulheres, ele simplesmente não se sentia à vontade, se sentia invadido. Mas ficou com dó dela e resolveu ajudar, logo pensando é claro em ela ir logo embora.
- 12° andar, pronto chegamos, me siga.
- Caramba, doze andares, é bem alto né?
- O prédio tem vinte, mas doze é alto sim. Pronto é aqui 122 C.
- Que apartamento bonito você tem, e é bem grande também né? Você mora sozinho aqui?
- Sim, sozinho eu e meus livros.
- Queria eu ter essa vida, mas moro com meus pais.
E ela fica admirando tudo e toca na estante dele. Vinicius então tenta não ficar bravo e se segura para dizer que ela não deveria tocar e em nada ali, então vê o telefone e como se um holofote se acendesse ele encontra a solução.
- Olha o telefone aqui, pode ligar.
- Sim, sim, obrigada.
Ela percebe que não deveria ter tocado a estante e que havia deixado ele um pouco irritado.
Liga na primeira rádio táxi e só chama, liga na segunda e caí a ligação três vezes, liga na terceira e não têm táxis na região, liga na quarta e finalmente consegue um, que iria demorar trinta minutos...
Ela desliga e diz:
- Consegui, mas vai demorar trinta minutos.
- Meia hora? Que absurdo, não acredito nisso. E agora?
- Bom, eu tenho que esperar, mas posso esperar na recepção se você preferir, não quero te atrapalhar.
Um pouco confuso com toda aquela situação Vinicius diz:
- Ok, pode ser, eu estou um pouco cansado, se pra você não fizer diferença, te levo até o elevador então.
Ela ficou em choque, nunca havia levado um corte tão forte assim e sentiu tanta raiva dele que resolveu provocar mais um pouco então.
- Sim, claro, não quero te atrapalhar, desculpas, posso ao menos usar seu banheiro?
- Sim, claro,é aqui do lado, pode ir.
Em sua cabeça ele pensava na besteira que tinha feito e no quão idiota tinha sido e até mal educado.
No banheiro ela pensava em como idiota e mal educado ele havia sido, precisava falar aquilo? Que absurdo, trago ele até aqui, sendo cordial, não acredito. Se olha no espelho e diz: Você é burra mesmo, achando que podia rolar algo,afff que boba.
Ela sai do banheiro, pega sua bolsa e se dirige a porta com passos rápidos e fortes. Vinicius então decide se redimir.
- Me desculpe, eu fui um pouco grosseiro com você.
Rispidamente ela responde:
- Sim!
- É é é (Ele fica mais nervoso ainda), eu não queria ter dito aquilo é que não estou acostumado a receber pessoas aqui e não sei como agir, se quiser pode esperar aqui tá. Me desculpe, mesmo.
- Sabe, você foi um pouco grosso comigo e gratuitamente ainda. Sinceramente, prefiro descer.
- Por favor, eu insisto, eu realmente não sei como agir. É é é...  aceita algo pra tomar, ou até comer? Fique aqui, sério! Por favor, agora estou me sentindo um vilão.
Ela dá um sorriso de canto de lábio e diz.
- Tá bom, me convenceu.
- Há, que bom, que bom! Deixa eu ver o que tenho na geladeira, sua sorte foi que fiz compras hoje, olha só. Então, vejamos, tenho mais cerveja, água, suco, vinho e ... Mais água aqui. Deseja o que senhorita? —como se fosse um garçom—.
- Aceito água, só água já está ótimo!
- Saindo uma água só água para a senhorita. Gosta de amendoins? Tenho uns aqui muito bons, quer experimentar?
- Há, aceito sim.
Depois de se acertarem  retomaram os papos do bar. Os trinta minutos passaram e então desceram para esperar o táxi juntos na recepção.
Passou mais dez minutos e nada laranja havia passado.
Ela resolveu ligar na rádio táxi pra reclamar e tiveram que subir novamente.
- Sorte ter elevador né, imagina ter que subir doze andares de escada, ufa.
- Olha, quando fica sem energia é um sufoco viu,é difícil.
- Imagino! Vou anotar isso, caso um dia vá morar em apartamento, vou escolher os mais baixos.
- É, tem esse lado! Mas raríssimas vezes fiquei na mão, ou melhor, no pé.
De volta ao apartamento ela ligou para a rádio táxi, a atendente disse que o taxista tinha tudo um problema e então ela iria encontrar outro para ir lá, ela havia ligado no telefone e ninguém havia atendido, pois tinham descido para a recepção, e então por falta de contato ela havia cancelado automaticamente.  Então o próximo táxi só viria a uns quarenta minutos.
- Ok, eu espero né, fazer o que.
- O que houve? Ele tá chegando? Se perdeu?
- Houve um problema,e terei que esperar mais quarenta minutos.
- Caramba, que sacanagem, quarenta minutos.
- Olha, se fosse sacanagem quem sabe seria divertido né?
Ambos deram risada e Vinicius olhou no relógio.
- Nossa! Já são 3:18, mais quarenta minutos já será quase 4 horas. Você não quer desistir desse táxi e dormir aqui? Eu fico no sofá e você deita na minha cama, daí de manhã você pode andar até a Rui e pegar o ônibus normal.
- É, isso é verdade. Mas se for pra dormir aqui, eu fico no sofá, capaz que vou te tirar da sua cama.
- Bom, já percebi que você é teimosa e não vai largar o osso então proponho o seguinte, os dois dormem na cama, ela é grande e cabe tranquilo os dois,o que acha?
- É...não sei...meio estranho né...nem nos conhecemos direito, sei lá... Acho melhor eu ficar aqui na sala.
- Fique tranquila, não tentarei nada. Ok?
- Bom...Ok... Então vou ligar lá e cancelar o táxi né?
- Isso, isso. Enquanto você liga vou separar uma camiseta e um shorts pra você, e vou tomar um banho. Aliás se quiser tomar um banho eu pego toalha, porque estamos bem molhados.
- Pode ser, eu aceito, estou com um pouco de frio mesmo.
Enquanto ela ligava para desmarcar o táxi Vinicius separava tudo que havia prometido e ligava o chuveiro para esquentar.
- Oi Vini, já cancelei o táxi... Agora estou livre só pra você —e deu risada—
Ele também riu e lhe disse:
- Sua boba. Então já separei aqui roupa e uma toalha, quer ir antes ou quer que eu vá antes?
- Há, não sei, pode ir, eu demoro mais.
- Como têm certeza? Já me viu tomar banho? Eu demoro bastante viu.
- Hum... Garanto que não tanto quanto eu. Mas vá, eu espero, qualquer coisa eu entro e mando você acelerar.
- Há há, muito engraçada você.
- Vai logo pow.
- Ok,ok calma.
Vinicius entrou no banho e esqueceu de trancar a porta, meio propositalmente também, vai que né, nunca se sabe.
Após longos vinte minutos aquela água mais a cerveja de antes fez efeito e ela bateu na porta desesperada querendo fazer xixi.
- Eu preciso entrar, preciso fazer xixi, vai demorar????
- É é é...tá aberta...entre...
- Entrar???? É é é... Melhor não né.
- Eu vou demorar ainda, prefere fazer xixi na calça?
- Aaaaaahhh, então tá, vou entrar hein, 3...2...1...tô entrando.
O box do banheiro é de vidro e apesar do vapor ter embaçado ele, era possível ver o corpo esculpido de Vinicius.
- Aii, desculpe Vini, eu eu eu, — fechou os olhos — ok vou tentar fazer xixi e pensar que você não está aqui. Vire pra lá... Isso vire.
E ela pensou: Meu deus que bunda, meu deus, uau... Será que o... É grande? Hum, hehe, fiquei curiosa agora.
Após fazer seu xixi ela pensou: Caramba,o que faço agora? Queria entrar lá e tomar banho com ele.
Ambos estavam com seus corações acelerados. E ela soltou:
- Vai demorar muito? Se sim vou entrar aí agora com você.
- Vou sim. E duvido que entre aqui agora.
- Ah duvida é? Então você vai ver.
Ela saiu do banheiro, pegou a toalha que estava sobre a cama, tirou seus sapatos, suas meias, sua calça, seus casacos, sua camiseta e entrou no banheiro de lingerie.
- E agora, continua duvidando?
- Claro, você ainda está aí,e vestida ainda.
Ela olhou rapidamente entre as pernas dele e gostou do que viu. Retirou a sua lingerie e foi entrar no box. Ele olhou seus seios e percebeu serem melhores do que havia imaginado e estava ansioso para olhar seu bumbum. Ele ama bumbuns.
- Viu! Entrei! Deveria ter apostado algo.
- E o que você teria apostado?
- Um beijo.
- E se eu ganhasse? O que você me daria?
- O que você iria querer?
- Eu não sei...
- Então como eu ganhei, quero meu beijo.
- Mas assim desse jeito? Mal nos conhecermos você disse agora pouco.
- Exatamente, assim nos conhecemos melhor.
- Bom, você que sabe...
Ela o abraçou pela cintura e já sentiu um volume entre suas pernas, encostando em sua barriga. Ela riu e deu um beijasso nele. Teve muita língua, mordida, suspiro e obviamente não acabou ali.
Ele desceu as mãos da cintura dela e pegou forte no bumbum e disse alto:
- Que mulher!!
Ela riu, mordeu seu pescoço e lhe disse no ouvido baixinho:
- Que homem.
Aquele desejo guardado pelos dois havia sido solto e agora agia como um animal feroz. Eram beijos, mordidas, apertões, arranhões, tapas e muitos, mas muitos gemidos.
Do chuveiro foram pra cama, sem nem se secar. Ele jogou ela no meio, abriu suas pernas e enfiou sua cabeça no meio das pernas dela, começou a lamber e chupar de um jeito que ela jamais havia visto ou sentido.
Ela pedia por mais em meio aos gemidos e mal acreditava que estava sendo tão bom.
Ele continuava empolgado e mal parava para respirar. Sua vontade era fazer ela chegar lá somente com sua língua.
E ele conseguiu.
 Ela estava tão excitada que puxou ele e disse que agora era a vez dela. Fez ele se virar e logo foi beijando e lambendo aquilo que havia visto e gostado tanto, ela amava chupar e olhar as expressões de prazer. Após algum tempinho ali ela resolveu subir nele e mostrar quem estava mandando ali. Rebolou, subiu, desceu, rebolou mais e juntos eles chegaram lá.
Ambos cansados e fora de forma resolveram se abraçar e assim dormir juntos pela primeira vez.
Santo táxi que não veio.



domingo, 28 de junho de 2015

Normalidade

Infelizmente o mundo não têm tempo para tentar te entender.
Você precisa se fazer entendido muito rápido ou você é dito como anormal ou o estanho ou  o incompreendido.
Se já não respeitam o especial que está bem claro na frente de todos, cadeirantes, cegos, idosos, imagina então tentar entender e respeitar alguém que possui alguma dificuldade mental e não falo de Down ou autismo, falo de depressão e de ansiedade.
A vida de uma pessoa ansiosa é difícil, você pega um livro pra ler e se divertir, porém se ele for muito longo ele começa a te torturar, você deseja terminar logo, começa a contar as páginas que faltam e quando percebe, não está mais prestando atenção na história, só consegue pensar em terminar logo.
Então você tem medo de ler outros livros grandes e sofrer de novo.
Confesso que meu único livro grosso foi O Drácula, que li em mais de um ano. Eu amei a história e quando vi que faltava pouco pra terminar eu parei, pois nesse caso eu não queria saber o final, eu amei o livro. Quando terminei me veio um vazio muito grande e nunca consegui preencher.
Só li trechos de livros e uns dois ou três inteiros, normalmente obrigada por alguma tarefa disciplinar.
Prazer com a leitura? Descobri em livros infantis curtos. Eles são breves, bem costurados na história e possuem lindas ilustrações. Os grossos? Não consigo, me dói, é uma dor estranha, eu definitivamente não consigo.
Eu amo ler, fui a segunda aluna de minha escola a completar a cartela de aluguéis de livro da biblioteca, eu amava ler quando criança e pré adolescente. Mas os livros ficaram maiores e então não consegui mais ler.
Eu não consigo estudar, nunca consegui sentar e estudar, eu não sei o que é isso. Por um tempo sempre achei ser preguiça, hoje vejo que é culpa da ansiedade de novo. Não conseguia me concentrar, ficava ansiosa pro almoço,pro lanche, pra janta, pro banho, eu viajava na maionese.
Sempre tive chique nervoso, desde criança quando estava sentada eu balançava minhas pernas sem parar, igualzinho meu pai. Eu era distraída demais e ainda sou e claro, culpa da ansiedade que já estava pensando em o que aconteceria se , e se e seeee. E isso sempre doia e dói.
Para ajudar eu sou depressiva e sempre me vi como um pato feio precisando impressionar pra tentar ser amado. Sempre me isolei e raramente fiz amizades. Sempre vejo o lado triste da vida e é difícil ser positiva.
Então a depressão e a ansiedade resolveram ser best friends, pois é, fico imaginando mil possibilidades ruins. Por isso surgiu a perfeição e a chatisse. Melhor fazer ABC antes, assim fica certinho, vou separar tudo antes, vou arrumar por cor, vou colocar tudo certinho para tudo, tudo mesmo dar certo. Vou analisar, calcular, e revisar tudo.Vou decorar o mapa e fazer a rota no caderno. Ufa. Tudo vai dar certo. Pera, não deu certo.
As pessoas normais ficariam chateadas e iriam continuar, eu simplesmente surto. Olho tudo que fiz e me sinto uma fracassada.

Olhando tudo isso e vendo os caminhos que andei e aonde cheguei me sinto vitoriosa mas perdedora. Por ser assim diferente e cheia de dificuldades vejo que estou bem até, mas me sinto frustrada e sempre desejo todo dia: queria ser normal.

Eu não sou normal e essa minha anormalidade me afasta das pessoas que não têm tempo para tentar me entender. Eu me esforço tanto para tentar ajudar os outros e sempre me julgam como a tirana, a que só pensa em si. Caramba! Acho que tudo que tento fazer só afasta mais todos de mim.

Eu sei amar, mas amo do meu jeito.
Eu não queria dar desculpas, só dizer que está bem difícil, sempre foi difícil e nesses vinte e cinco anos nunca foi fácil.
Tirar dez nunca foi minha meta, minha meta era tirar a média o que viesse a mais era sempre lucro. Eu sempre quis ser uma excelente aluna e nunca consegui.
Eu tenho vergonha de ser assim mas no fundo sei que não é minha culpa é sim do sistema que me obrigou a achar que eu era preguiçosa. Eu não sou normal, eu não vivo no mesmo ritmo e rotina que a normalidade, eu tenho meu ritmo, eu tenho minha rotina eu tenho minhas dificuldades.

Sou especial e hoje enxergo que a normalidade não me representa. Não saí nos moldes que vocês queriam, fazer o que né. Só me respeitem e aceitem.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Carolina Parte I


Era um dia frio de fim de outono, ela estava na sacada de seu apartamento com seu hobby roxo transparente, suas pantufas rosas e seu baby doll lilás.
Fumava o último cigarro da carteira e sentia o leve vento bater em seus cabelos loiros. Alta, encorpada, olhos castanhos, cabelos abaixo dos ombros, boca grande e lábios finos, nariz pontudo e fino, perfume doce mas não enjoativo. Definitivamente uma mulher que pararia muitas avenidas.
Carolina sempre foi muito vaidosa, mesmo quando fuma, tomava cuidado para não borrar o batom ou ficar com cheiro forte de cigarro nos cabelos.
Enquanto sentia o prazer do último cigarro embalado aos ventos do outono, ela observava a lua. Tão cheia, tão vibrante, tão distante.
Se sentiu cúmplice dela e juntas ficaram se fitando. Carolina se sentia assim, cheia de vida, vibrante e distante. Afinal para todos sua vida era perfeita porém para ela, sua vida era incompleta.
Vivia para trabalhar, trabalhava para viver. Ela lembrou que nem ao menos de uma planta conseguiu cuidar, tamanha era sua fadiga mental.
As colegas de trabalho diziam que lhe faltava um amor, que ela precisava era de um homem, Carolina ria e dizia:  mal tenho tempo pra mim, como poderia ter tempo para um homem?
Ela sabia no fundo que não precisava de outra pessoa que a completasse, ela já era completa, só estava vazia e precisava reabastecer.
Seu cigarro estava no fim mas seus pensamentos não. Ela não parava de questionar sua vida, suas decisões, seu rumo, afinal de contas aonde ela iria parar? Em meio a tanta confusão mental resolveu tomar um gole do seu whisky para tentar relaxar. Após duas doses ela se acalmou um pouco e foi se deitar. Na camasua vida passava inteira em sua cabeça e ela se questionava sobre o que fazer, que rumo tomar, pra onde ir. Após um longo tempo se revirando na cama e nos pensamentos ela decidiu que naquele sábado faria algo diferente. Mas o que? Lembrou que faziam muitos anos que não ia a um parque, seus únicos passeios eram em shoppings cheios, para fazer compras e comer, nem no cinema conseguia ir. Decidiu então que iria passear em um parque no sábado e tentar ao menos um dia relaxar um pouco. Mas na sua cidade existem muitos parques, em qual ir? Barigui, vou no Barigui ela falou em voz alta. Virou para o lado, abraçou seu travesseiro e conseguiu pegar no sono.
Era manhã de sábado do vento havia dado uma trégua, até o sol havia aparecido, dia perfeito para ir ao parque. Carolina acordou disposta, foi logo no banheiro, tomou um café e abriu seu armário para escolher o modelito para ir ao parque. Resolveu pegar algo que nunca usava apesar de achar nega confortável, seu conjunto de moletom. Calçou seus tênis e pegou a bolsa da chave do carro.
Após um longo trajeto até o parque, finalmente ela havia chegado em seus destino.  Resolveu andar pelo parque e no meio dele encontrou um grupo de mulheres com um cercadinho no meio e vários cachorros dentro dele. Ela se aproximou e ficou curiosa.
Uma moça a abordou e disse para se sentir à vontade ali, elas eram de uma ONG e os cachorrinhos estavam ali para serem adotados. Carolina achou magnífica a ideia de marketing das meninas e logo perguntou se vendiam bem ali e quanto lucravam. A moça disse que não lucravam nada, na verdade tinham muitas despesas, pois a ONG possuía muitos animais.
Carolina indagou se eram de graça então? E por que elas não tentavam vender, afinal eram muito fofos e certamente venderiam. A moça disse que eram cachorros sem raça definida, ela disse: vira latas?  A moça deu risada e disse sim, mas que chamar assim era pejorativo e finalizou dizendo que por serem sem raça são discriminados e muitos não são adotados.
Foi um choque no mundinho dela, tantas informações, curiosidades, tanta novidade. Ela ficou ali a tarde inteira, ouvindo muitas histórias felizes e tristes também. Sua vida estava começando a mudar.


PARTE I


MOÇA

- Feche as pernas Ana, uma moça não deve sentar assim!
- Não fale enquanto come Rosana, uma moça não deve agir assim!
- Arrume este quarto Paula, nem parece quarto de moça!
- Não arrote Morgana, você é uma moça, cadê seus modos?
- Brinque com as meninas Yasmin, seu lugar é com as moças!
- Não fale gritando Janaina, assim não parece uma moça delicada!
- Está saia é muito curta Jaqueline, nem parece uma moça decente!
- Não beba álcool Camila, moças de família tem que se cuidar!
- Não fale palavrão Angélica, uma moça não deve falar essas coisas!

Sou uma moça, não importa o que eu faça, sou o que eu desejo ser.

Coragem.

Ela tomou coragem e tingiu os cabelos
Ela tomou coragem e passou a sombra escura nos olhos
Ela tomou coragem e usou o batom vermelho
Ela tomou coragem e pintou as unhas de preto
Ela tomou coragem e vestiu aquele vestido
Ela tomou coragem e subiu no salto alto
Ela tomou coragem e rompeu com o padrão estipulado pela sua família e pela sociedade
Ela finalmente se sentiu livre e pela primeira vez deu um sorriso verdadeiro.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Movimento

Meus lábios te beijam
Minhas mãos te acariciam
Meu corpo se aquece
Minhas pernas se abrem.

Arco-íris

O arco-íris é fruto da teimosia.
Conta a lenda que uma jovem garota adorava tomar banhos de chuva,
Mas também amava sentir o sol em sua pele.
Ela então imaginou como seria perfeito se pudesse se banhar na chuva enquanto sentia o sol aquecer sua pele.
Seu desejo era tão grande que isso acontecesse que desejou para que Tupã atendesse seu pedido.
O pajé falou que isso era uma afronta a natureza e que jamais iria acontecer, pois chover com sol era impossível, ou chovia ou fazia sol.
Contrariada a jovem resolveu fazer greve de fome e disse que só voltaria a se alimentar se o pajé pedisse para Tupã enviar sol e chuva ao mesmo tempo.
Se passaram dias e ela continuou firme na decisão.
Após sete semanas de greve de fome a jovem mal tinha força para falar.
Sua mãe desesperada implorou ao pajé que ao menos tentasse que Tupã não ficaria ofendido com esse pedido e iria ignorar ou atender.
O pajé contrariado mas ao mesmo tempo temeroso resolveu levar o pedido à Tupã.
Em sua tenda fez todos os ritos para invocar o grande espírito e fazer seu pedido. Ele pediu que chovesse e que fizesse sol ao mesmo tempo, pois era o pedido de uma linda jovem que estava desfalecendo.
Tupã que tudo vê, indagou ao pajé por que havia demorado tanto para fazer o pedido. Disse que atenderia, mas que a jovem não podia desfrutar dos lindos momentos pois havia chegado sua hora.
Começou a chover e o sol brilhava no céu.
Levaram a jovem para ver como era lindo a chuva e o sol juntos.
Nos braços de sua família ela sorriu e se foi.
Tupã teve pena da jovem e resolveu transformar seu sorriso em arco-íris e cada semana de greve foi representada com uma cor diferente.
Sempre que chover e fizer sol ela estará lá, sorrindo para todos.
🌈

Egoísmo

Não gosto de ver quem eu amo, sofre por minha causa.
Me perdoe desde já, mas meu egoísmo é tamanho.
Que prefiro te ter ao meu lado um pouco triste e feliz do que te liberar.
Sei que poderia fazer mais, mas confesso aqui que tenho feito meu máximo.
Infelizmente nossos máximos são muito diferentes,
E te amei justamente por isso.
Não posso te soltar pois preciso de você.
Quem sabe te ame justamente por isso.
Será que você ainda precisa de mim?

terça-feira, 16 de junho de 2015

Divando

Adoro a sensação do vento contra mim.
Me sinto em um comercial de shampoo
Ou em um trailer de algum filme com uma linda atriz.
Percebo que muitos ao meu redor entram no clima também
E param para admirar os cabelos vermelhos voando.
Provavelmente devam rir mentalmente
Mas para mim, sou e sempre serei a diva do século.

Renascer

Quando os raios de sol tocaram meu rosto, logo percebi que estava viva.
Comecei a aquecer lentamente e senti coragem de abrir meus olhos.
Tantas cores, tanta luz, fiquei um pouco cega por alguns segundos.
Comecei a ouvir barulho de água e de pássaros, muitos pássaros.
Senti o aroma do campo, o perfume das flores, o cheiro de felicidade.

Fim de outono.

Hoje o frio é tanto que troquei minha lâmpada fria por uma lâmpada quente.
Desenterrei aquele cachecol que vovó me deu e eu nunca usei.
Roubei as meias de lã estranhas do meu pai.
Vesti aquela calça larga de veludo da minha mãe.
Coloquei o gato no colo e me cobri com três mantas.
Precisei ir no banheiro e congelei.

Segurança

Hoje eu acordei em meio aos seus lençóis,
Senti seu cheiro e abracei seu travesseiro.
Lembrei da linda noite que tivemos e o quanto havia sonhado com ela.
Sorri e olhei para o teto do seu quarto e pensei:
Foi melhor que no sonho.

Fetiche

Hoje eu te desenhei,
Pois sei que terei algo seu
Guardado junto a mim.

Obviamente nunca te mostrarei,
Pois você me achará tola
E prefiro que continue sem saber que existo.


Desejo

Ele me puxou pelo braço esquerdo e sussurrou no meu ouvido:
Hoje, você é minha!
Me arrepiei inteira e tentei disfarçar.
Dos seus lindos lábios, surgiu um sorriso malicioso.
Meu desejo, que já era grande, aumentou ainda mais.

Empirismo.

Como saber se o que sinto é amor de verdade?
Falei bobagens e ela chorou.
Olhei seus olhos transbordando e meu coração apertou.
Logo vi que era amor.