domingo, 28 de junho de 2015

Normalidade

Infelizmente o mundo não têm tempo para tentar te entender.
Você precisa se fazer entendido muito rápido ou você é dito como anormal ou o estanho ou  o incompreendido.
Se já não respeitam o especial que está bem claro na frente de todos, cadeirantes, cegos, idosos, imagina então tentar entender e respeitar alguém que possui alguma dificuldade mental e não falo de Down ou autismo, falo de depressão e de ansiedade.
A vida de uma pessoa ansiosa é difícil, você pega um livro pra ler e se divertir, porém se ele for muito longo ele começa a te torturar, você deseja terminar logo, começa a contar as páginas que faltam e quando percebe, não está mais prestando atenção na história, só consegue pensar em terminar logo.
Então você tem medo de ler outros livros grandes e sofrer de novo.
Confesso que meu único livro grosso foi O Drácula, que li em mais de um ano. Eu amei a história e quando vi que faltava pouco pra terminar eu parei, pois nesse caso eu não queria saber o final, eu amei o livro. Quando terminei me veio um vazio muito grande e nunca consegui preencher.
Só li trechos de livros e uns dois ou três inteiros, normalmente obrigada por alguma tarefa disciplinar.
Prazer com a leitura? Descobri em livros infantis curtos. Eles são breves, bem costurados na história e possuem lindas ilustrações. Os grossos? Não consigo, me dói, é uma dor estranha, eu definitivamente não consigo.
Eu amo ler, fui a segunda aluna de minha escola a completar a cartela de aluguéis de livro da biblioteca, eu amava ler quando criança e pré adolescente. Mas os livros ficaram maiores e então não consegui mais ler.
Eu não consigo estudar, nunca consegui sentar e estudar, eu não sei o que é isso. Por um tempo sempre achei ser preguiça, hoje vejo que é culpa da ansiedade de novo. Não conseguia me concentrar, ficava ansiosa pro almoço,pro lanche, pra janta, pro banho, eu viajava na maionese.
Sempre tive chique nervoso, desde criança quando estava sentada eu balançava minhas pernas sem parar, igualzinho meu pai. Eu era distraída demais e ainda sou e claro, culpa da ansiedade que já estava pensando em o que aconteceria se , e se e seeee. E isso sempre doia e dói.
Para ajudar eu sou depressiva e sempre me vi como um pato feio precisando impressionar pra tentar ser amado. Sempre me isolei e raramente fiz amizades. Sempre vejo o lado triste da vida e é difícil ser positiva.
Então a depressão e a ansiedade resolveram ser best friends, pois é, fico imaginando mil possibilidades ruins. Por isso surgiu a perfeição e a chatisse. Melhor fazer ABC antes, assim fica certinho, vou separar tudo antes, vou arrumar por cor, vou colocar tudo certinho para tudo, tudo mesmo dar certo. Vou analisar, calcular, e revisar tudo.Vou decorar o mapa e fazer a rota no caderno. Ufa. Tudo vai dar certo. Pera, não deu certo.
As pessoas normais ficariam chateadas e iriam continuar, eu simplesmente surto. Olho tudo que fiz e me sinto uma fracassada.

Olhando tudo isso e vendo os caminhos que andei e aonde cheguei me sinto vitoriosa mas perdedora. Por ser assim diferente e cheia de dificuldades vejo que estou bem até, mas me sinto frustrada e sempre desejo todo dia: queria ser normal.

Eu não sou normal e essa minha anormalidade me afasta das pessoas que não têm tempo para tentar me entender. Eu me esforço tanto para tentar ajudar os outros e sempre me julgam como a tirana, a que só pensa em si. Caramba! Acho que tudo que tento fazer só afasta mais todos de mim.

Eu sei amar, mas amo do meu jeito.
Eu não queria dar desculpas, só dizer que está bem difícil, sempre foi difícil e nesses vinte e cinco anos nunca foi fácil.
Tirar dez nunca foi minha meta, minha meta era tirar a média o que viesse a mais era sempre lucro. Eu sempre quis ser uma excelente aluna e nunca consegui.
Eu tenho vergonha de ser assim mas no fundo sei que não é minha culpa é sim do sistema que me obrigou a achar que eu era preguiçosa. Eu não sou normal, eu não vivo no mesmo ritmo e rotina que a normalidade, eu tenho meu ritmo, eu tenho minha rotina eu tenho minhas dificuldades.

Sou especial e hoje enxergo que a normalidade não me representa. Não saí nos moldes que vocês queriam, fazer o que né. Só me respeitem e aceitem.

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