quinta-feira, 18 de junho de 2015

Carolina Parte I


Era um dia frio de fim de outono, ela estava na sacada de seu apartamento com seu hobby roxo transparente, suas pantufas rosas e seu baby doll lilás.
Fumava o último cigarro da carteira e sentia o leve vento bater em seus cabelos loiros. Alta, encorpada, olhos castanhos, cabelos abaixo dos ombros, boca grande e lábios finos, nariz pontudo e fino, perfume doce mas não enjoativo. Definitivamente uma mulher que pararia muitas avenidas.
Carolina sempre foi muito vaidosa, mesmo quando fuma, tomava cuidado para não borrar o batom ou ficar com cheiro forte de cigarro nos cabelos.
Enquanto sentia o prazer do último cigarro embalado aos ventos do outono, ela observava a lua. Tão cheia, tão vibrante, tão distante.
Se sentiu cúmplice dela e juntas ficaram se fitando. Carolina se sentia assim, cheia de vida, vibrante e distante. Afinal para todos sua vida era perfeita porém para ela, sua vida era incompleta.
Vivia para trabalhar, trabalhava para viver. Ela lembrou que nem ao menos de uma planta conseguiu cuidar, tamanha era sua fadiga mental.
As colegas de trabalho diziam que lhe faltava um amor, que ela precisava era de um homem, Carolina ria e dizia:  mal tenho tempo pra mim, como poderia ter tempo para um homem?
Ela sabia no fundo que não precisava de outra pessoa que a completasse, ela já era completa, só estava vazia e precisava reabastecer.
Seu cigarro estava no fim mas seus pensamentos não. Ela não parava de questionar sua vida, suas decisões, seu rumo, afinal de contas aonde ela iria parar? Em meio a tanta confusão mental resolveu tomar um gole do seu whisky para tentar relaxar. Após duas doses ela se acalmou um pouco e foi se deitar. Na camasua vida passava inteira em sua cabeça e ela se questionava sobre o que fazer, que rumo tomar, pra onde ir. Após um longo tempo se revirando na cama e nos pensamentos ela decidiu que naquele sábado faria algo diferente. Mas o que? Lembrou que faziam muitos anos que não ia a um parque, seus únicos passeios eram em shoppings cheios, para fazer compras e comer, nem no cinema conseguia ir. Decidiu então que iria passear em um parque no sábado e tentar ao menos um dia relaxar um pouco. Mas na sua cidade existem muitos parques, em qual ir? Barigui, vou no Barigui ela falou em voz alta. Virou para o lado, abraçou seu travesseiro e conseguiu pegar no sono.
Era manhã de sábado do vento havia dado uma trégua, até o sol havia aparecido, dia perfeito para ir ao parque. Carolina acordou disposta, foi logo no banheiro, tomou um café e abriu seu armário para escolher o modelito para ir ao parque. Resolveu pegar algo que nunca usava apesar de achar nega confortável, seu conjunto de moletom. Calçou seus tênis e pegou a bolsa da chave do carro.
Após um longo trajeto até o parque, finalmente ela havia chegado em seus destino.  Resolveu andar pelo parque e no meio dele encontrou um grupo de mulheres com um cercadinho no meio e vários cachorros dentro dele. Ela se aproximou e ficou curiosa.
Uma moça a abordou e disse para se sentir à vontade ali, elas eram de uma ONG e os cachorrinhos estavam ali para serem adotados. Carolina achou magnífica a ideia de marketing das meninas e logo perguntou se vendiam bem ali e quanto lucravam. A moça disse que não lucravam nada, na verdade tinham muitas despesas, pois a ONG possuía muitos animais.
Carolina indagou se eram de graça então? E por que elas não tentavam vender, afinal eram muito fofos e certamente venderiam. A moça disse que eram cachorros sem raça definida, ela disse: vira latas?  A moça deu risada e disse sim, mas que chamar assim era pejorativo e finalizou dizendo que por serem sem raça são discriminados e muitos não são adotados.
Foi um choque no mundinho dela, tantas informações, curiosidades, tanta novidade. Ela ficou ali a tarde inteira, ouvindo muitas histórias felizes e tristes também. Sua vida estava começando a mudar.


PARTE I


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